Dia de Oxóssi: xilogravura horizontal com Oxóssi arqueiro na mata, arco e flecha apontados ao alto, pássaros e folhas verdes ao redor.Oxóssi na mata: o caçador do axé, da fartura e do caminho aberto.

O dia de oxóssi não é apenas uma data bonita para lembrar um Orixá querido. É um lembrete profundo — quase um puxão de orelha espiritual — sobre sustento, foco, silêncio e responsabilidade. Oxóssi é o caçador. Mas não o caçador de violência gratuita: é o caçador de alimento, de caminho, de solução, de inteligência estratégica. A flecha dele não é pressa; é precisão.

E talvez por isso tanta gente procure esse tema todos os anos: “quando é o dia de Oxóssi?”, “qual é a cor?”, “qual é a saudação?”, “o que fazer no dia?”. A vontade é legítima — só precisa vir acompanhada de respeito. Porque no Candomblé, fundamento não é espetáculo: é cuidado.

Neste guia você vai entender quem é Oxóssi, por que ele é tão importante, qual é a história por trás da mata, quando é celebrado o dia de Oxóssi em muitos calendários e, principalmente, como comemorar de um jeito bonito, consciente e coerente com a tradição.


Quem é Oxóssi?

Oxóssi (Ọ̀ṣọ́ọ̀sì) é amplamente conhecido como o Orixá da caça, das florestas, dos animais e da fartura — o provedor que garante sustento e abre caminhos de sobrevivência com astúcia e direção.
Ele é o caçador de Àṣẹ (axé), aquele que busca o que é necessário para que uma casa se mantenha viva: alimento, equilíbrio, expansão e prosperidade — mas sem romper o elo com a natureza.

No imaginário, Oxóssi aparece com arco e flecha. Isso não é só “arma”. É símbolo de concentração: mirar exige silêncio por dentro. A flecha só funciona quando o corpo para de tremer e a mente para de se dispersar.

Por isso Oxóssi também costuma ser associado à inteligência estratégica, à capacidade de enxergar além do óbvio, e à busca do conhecimento como forma de sobreviver e crescer.


Qual é a importância de Oxóssi para o Candomblé?

Se você reduzir Oxóssi a “orixá da mata”, você perde metade do fundamento. Oxóssi é mata, sim — mas é também a ética do sustento.

Ele representa a consciência de que prosperidade não nasce do vazio: nasce de uma relação correta com a vida. No mundo antigo, o caçador trazia comida para a comunidade. Hoje, a metáfora permanece: Oxóssi protege quem sai para “caçar” o pão de cada dia — trabalho, oportunidade, estudo, melhora de vida.

Ao mesmo tempo, ele aponta um limite moral: não se caça por vaidade. Não se destrói por capricho. Não se colhe tudo como se o mundo fosse infinito. Oxóssi ensina que a fartura tem direção: ela precisa voltar para a comunidade, virar partilha, virar proteção do coletivo.

E tem outra dimensão poderosa: a caça como metáfora do conhecimento. Oxóssi não é pressa — é acerto. Quem aprende isso para de viver em modo desespero. Passa a pensar: “qual é meu alvo de verdade? o que eu preciso buscar com clareza?”


História de Oxóssi

A história de Oxóssi não é um “conto distante”. Ela funciona como espelho. A cada geração, a mata muda de nome: às vezes vira emprego, às vezes vira estudo, às vezes vira cura emocional, às vezes vira proteção espiritual. Mas a lição permanece: entrar na mata exige respeito.

Relação com a mata

A mata é uma biblioteca viva. Não é romantização: é fundamento. Folhas curam, folhas limpam, folhas equilibram — e por isso a floresta não é cenário, é altar. Oxóssi está ligado a esse espaço onde a vida se refaz em silêncio.

E há um mito muito conhecido que ajuda a entender o coração desse Orixá: o caçador de uma flecha só.

ITAN: Dia de Oxóssi
Conta-se que, diante de um tempo de escassez, quando a comunidade precisava de sustento, Oxóssi foi para a mata e, com uma única flecha, resolveu o que parecia impossível. A “uma flecha só” não é milagre barato: é a imagem da eficiência espiritual. Quando a energia é bem direcionada, ela vale por muitas. Oxóssi ensina que a abundância começa na mente: no foco, na disciplina, na escolha certa do alvo.

E existe uma beleza dura nessa lição: quem atira flechas para todo lado volta de mãos vazias. Quem mira com verdade volta com o necessário.

ITAN: Dia de Oxóssi
“Na mata, o barulho engana.
Oxóssi aprende o silêncio —
e faz do silêncio caminho.
Uma flecha não é pouco
quando a fome é coletiva
e o coração sabe mirar.”


Quando é o dia de Oxóssi?

Aqui entra uma parte que sempre gera dúvida: qual é o dia de Oxóssi?

Em muitas tradições populares e calendários religiosos no Brasil, o dia 20 de janeiro é lembrado como data de Oxóssi, frequentemente associado ao sincretismo com São Sebastião em vários contextos culturais.
Mas é importante dizer com honestidade: cada terreiro, cada nação e cada casa pode seguir fundamentos próprios e calendários internos. Então, além da data “conhecida”, existe o tempo do terreiro — e ele merece respeito.

E sobre “dia da semana”: é comum encontrar a referência de que quinta-feira é o dia dedicado a Oxóssi em muitos calendários (especialmente em materiais populares), embora variações existam.

Se você quer acertar sem forçar regra: a melhor bússola é a sua casa de axé. O que é fundamento de um terreiro pode não ser de outro — e isso não é erro, é diversidade tradicional.


Por que o dia de Oxóssi é celebrado?

O dia de oxóssi é celebrado porque ele representa um pacto: a comunidade não vive só de fé abstrata; ela vive de sustento real. E sustento não é só dinheiro — é alimento, é saúde, é caminho aberto, é proteção, é inteligência para sobreviver.

Celebrar Oxóssi também é manter viva a memória ancestral. Em um país onde tantas expressões afro-brasileiras foram perseguidas, celebrar um Orixá é um ato cultural e espiritual: é dizer “nossa tradição continua de pé”.

E há ainda um sentido íntimo: Oxóssi é força para quem está cansado de tentar sem direção. Ele lembra que não adianta correr: primeiro é preciso mirar.


Como comemorar o dia de Oxóssi?

Essa é a pergunta mais prática: o que devo fazer no dia de Oxóssi?
Aqui eu vou te dar caminhos possíveis sem transformar fundamento em “receita”.

1) Comemore com respeito à natureza

Oxóssi é mata. Então a comemoração mais coerente começa pelo óbvio que muita gente esquece: cuidar do que ele representa.

  • Não jogue lixo em praia, cachoeira, parque, trilha.
  • Se for à natureza, vá com postura de respeito — como quem entra em casa sagrada.

Isso parece simples, mas é profundamente espiritual.

2) Transforme a data em gratidão pelo sustento

Oxóssi fala de fartura. Então, uma forma bonita de homenagear é agradecer pelo que te sustenta hoje — mesmo que ainda seja pouco. Gratidão não é conformismo; é força emocional para continuar buscando.

3) Faça partilha (porque fartura é coletiva)

Se você quer um gesto que combina com Oxóssi, pense em partilha:

  • doar alimento,
  • ajudar alguém com uma compra básica,
  • contribuir com uma ação comunitária,
  • apoiar uma casa séria e seus projetos sociais (quando fizer sentido).

Fartura, em Oxóssi, não é egoísmo.

4) Estude — porque a caça também é conhecimento

Oxóssi se liga à busca do conhecimento como expansão.
Então estudar sobre o Orixá, sobre a história afro-brasileira e sobre a tradição é uma forma digna de comemorar. No Candomblé, saber também é axé.

5) “Posso acender vela para Oxóssi?”

Muita gente pergunta sobre dia de acender vela para oxóssi. Em termos gerais: há quem faça esse gesto como oração e intenção, mas o correto é respeitar a orientação da sua casa e, acima de tudo, agir com segurança.

Se você for acender uma vela como gesto devocional:

  • faça em local seguro, longe de material inflamável,
  • nunca em mata seca,
  • nunca de um jeito que gere risco ambiental.

O axé não pede incêndio — pede consciência.

6) Saudação e oração (sem teatralizar)

A saudação de Oxóssi é amplamente conhecida como “Okê Arô!”
Você pode usar a saudação como forma de reverência simples: com respeito, com coração, sem transformar espiritualidade em performance para rede social.


FAQ — As pessoas também perguntam Dia de Oxóssi

Qual é o dia de Oxóssi?

Em muitos calendários no Brasil, Oxóssi é lembrado em 20 de janeiro, com associação cultural a São Sebastião em diversos contextos.
Mas cada terreiro pode ter seu fundamento e calendário próprio.

Qual é a fruta de Oxóssi?

Isso varia bastante por tradição e casa. Em muitos contextos populares aparecem frutas ligadas à ideia de mata, colheita e fartura. O melhor é não tratar isso como regra universal e, se for fundamento de culto, seguir orientação do seu terreiro.

O que devo fazer no dia de Oxóssi?

O essencial: respeito, gratidão, partilha, cuidado com a natureza, estudo e postura coerente com o que Oxóssi simboliza.

Oxóssi é filho de quem?

Existem versões mitológicas diferentes conforme tradições e fontes. Em materiais populares, há variações sobre filiações míticas. Para não transformar mito em “certidão”, o mais honesto é: a filiação depende da narrativa tradicional adotada pela sua casa e das fontes que ela respeita.

Qual exu pertence a Oxóssi?

Essa pergunta costuma vir de uma confusão comum. Exu é Orixá e princípio, não “pertence” a outro Orixá como se fosse propriedade. Em fundamentos de casa, pode haver relações litúrgicas e assentamentos que dialogam com diversos Orixás, mas isso é assunto de terreiro, não de lista fixa da internet.

Qual o dia do orixá hoje?

Depende do calendário usado (alguns associam dias da semana a Orixás) e, principalmente, do fundamento de cada casa. Se você segue um calendário popular, Oxóssi é frequentemente associado à quinta-feira em várias referências.


Dia de Oxóssi

Se você quer aprofundar de verdade sem cair em mito de internet, recomendo ler também:

Quer entender Oxóssi com respeito e profundidade? Veja outros conteúdos do Candomblé Desmistificado e continue sua jornada de aprendizado: acesse o site.

Conclusão Dia de Oxóssi

O dia de oxóssi é lembrança e bússola. Lembrança da mata como fundamento vivo. Bússola para quem está perdido em excesso de barulho, correria e ansiedade. Oxóssi ensina uma coisa simples e difícil: não é sobre atirar mais flechas — é sobre mirar melhor.

Se você quer honrar esse Orixá, comece por onde ele começa: com respeito à vida, com foco na busca e com partilha do que a caça traz. Porque Oxóssi não mora só na mata. Ele mora no jeito como você busca o que precisa sem ferir o mundo.

Okê Arô!

Leitura recomendada (Amazon): Se você quer aprofundar sua visão sobre os Orixás com base cultural e histórica, um clássico é “Orixás”, de Pierre Verger. Ver na Amazon. (Comprando por esse link, você apoia o Candomblé Desmistificado sem pagar nada a mais.)

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By Carlos Duarte Junior

Carlos Augusto Ramos Duarte Junior é um explorador apaixonado pela cultura e espiritualidade afro-brasileira. Influenciado pelas mulheres fortes e sábias de sua família, ele busca incessantemente entender e compartilhar o conhecimento sobre o Candomblé. Desde jovem, Carlos foi inspirado por sua mãe, avó, tia e irmã, que despertaram nele uma curiosidade pelas tradições ancestrais do Brasil. Formado em Economia, ele encontrou sua verdadeira paixão na cultura afro-brasileira, mergulhando no estudo do Candomblé. Suas experiências com sua tia sacerdotisa e sua irmã pesquisadora aprofundaram sua conexão com a espiritualidade do Candomblé. Carlos visitou terreiros, participou de cerimônias sagradas e estudou a história e mitologia desta religião. Ele compartilha seu conhecimento através do livro “Candomblé Desmistificado: Guia para Curiosos”, buscando quebrar estereótipos e oferecer uma visão autêntica desta tradição espiritual. Carlos é um defensor da diversidade e do respeito às religiões de matriz africana, equilibrando sua vida entre a escrita, a família e a busca contínua pelo conhecimento. Com seu livro, Carlos convida os leitores a uma jornada pelos mistérios e belezas do Candomblé.

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