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Ilustração em estilo cordel representando a música no CandombléMúsica no Candomblé: A Batida Sagrada que Move o Axé

Introdução

A música no Candomblé não é apenas melodia. É oração, chamado, presença divina. O toque do atabaque, o som dos agogôs, os cânticos em iorubá e o corpo em dança — tudo isso forma uma linguagem ancestral que conecta os filhos de santo com os orixás.

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Neste post, vamos mergulhar no universo espiritual, simbólico e ritualístico da música dentro do Candomblé. Como ela funciona? Por que é tão essencial? E o que ela revela sobre a nossa relação com o sagrado?


🪘 A Música como Linguagem dos Orixás

No Candomblé, cada toque, cada canto e cada pausa tem um significado. A música não é acessório, é fundamento. É por meio dela que os orixás são chamados, identificados e saudados. O som organiza o espaço sagrado, abre portais, inicia processos espirituais e conduz o transe de incorporação.

O ritmo não é improvisado: cada orixá tem toques específicos, chamados de toques de fundamento, que o invocam diretamente. Exemplo:

  • Xangô: toque alujá
  • Iemanjá: toque de ibamijé
  • Oxóssi: toque de agueré
  • Ogum: toque de adarrum
  • Exu: toque de barravento ou ilu

Cada batida é um chamado. Cada canto é uma saudação.


🎤 Cânticos e Louvações: A Força da Palavra Cantada

As músicas no Candomblé são entoadas majoritariamente em línguas africanas, especialmente o iorubá e seus dialetos. São chamadas de orikis, e funcionam como louvações poéticas aos orixás, exaltando seus feitos, forças e caminhos. Cantar é mais do que expressar: é ativar o axé.

Esses cânticos são passados de forma oral, memorizados nos rituais e fortalecem a ancestralidade viva. Quando uma comunidade canta junta no xirê, está se conectando a gerações que vieram antes, e que ensinaram que música é memória espiritual.


🔊 Os Instrumentos da Tradição

Os principais instrumentos do Candomblé são os atabaques, sagrados e preparados ritualmente com folhas, rezas e elementos de axé. Os três atabaques são:

  • Rum – o maior, comanda os toques
  • Rumpi – intermediário, sustenta o ritmo
  • – o menor, dá leveza e marcação

Outros instrumentos importantes incluem:

  • Agogô (sino de ferro)
  • Xequerê (cabaça com contas)
  • Adjá (sino usado em ritos com Oxalá)

Cada som é um código. E só quem conhece o axé sabe decifrar.


🌍 Música e Transe: Entre o Mundo Visível e o Invisível

O transe mediúnico no Candomblé ocorre, muitas vezes, com o auxílio da música. Não se trata de possessão aleatória, mas de uma descida ritual do orixá, que se manifesta no corpo do iniciado.

E é a música que guia essa descida. O ritmo certo, a vibração exata, a energia do coro — tudo colabora para que o corpo do médium esteja preparado, e o espírito do orixá se sinta bem-vindo.


📚 Itan Musical: O Dia em que Ogum Criou o Primeiro Tambor

Conta um itan que Ogum, senhor do ferro e da guerra, um dia ouviu o choro da terra. Era a tristeza dos homens sem canto. Ogum, então, moldou com suas mãos o primeiro tambor, usando o couro dos animais que caçava e a madeira das árvores da mata. Quando bateu pela primeira vez, o som ecoou nos céus e acordou os orixás. Nascia o ritmo, nascia o axé sonoro.


🎵 Você Sabia?

  • A palavra “oriki” significa “louvor nominal” em iorubá. Cada orixá tem dezenas!
  • A música também tem função curativa, sendo usada em rituais de limpeza espiritual.
  • As crianças aprendem desde cedo a cantar e dançar os toques dos orixás — é um modo de manter a tradição viva.
  • Os toques e cânticos variam conforme a nação (Ketu, Jeje, Angola), revelando a riqueza cultural do Candomblé.

🙋 FAQ – Perguntas Frequentes sobre Música no Candomblé

1. Qual é a diferença entre música comum e música ritualística?
A música ritualística tem função sagrada: ela não é apenas estética, mas parte fundamental da cerimônia. Ela tem regras, propósitos e força espiritual.

2. Quem pode tocar atabaque no Candomblé?
Apenas quem foi iniciado e autorizado pelo axé. Os ogãs de atabaque passam por preparação espiritual e são guardiões do ritmo sagrado.

3. É permitido gravar ou cantar músicas do Candomblé fora dos rituais?
Depende. Algumas músicas são públicas e podem ser cantadas em apresentações ou eventos educativos. Outras são exclusivas dos ritos internos e devem ser respeitadas.

4. Existem músicas específicas para cada orixá?
Sim! Cada orixá tem dezenas de cânticos e toques exclusivos que expressam seus domínios, qualidades e histórias.

5. Elas pode influenciar o humor e a energia da casa?
Com certeza! A música do Candomblé pode limpar, fortalecer, alegrar ou acalmar o ambiente, dependendo da intenção e do toque utilizado.


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✊ Curiosidade Final

Há orixás que “dançam no silêncio”, como Obaluaê e Nanã, em alguns momentos dos rituais. Mas mesmo o silêncio é sonoro no Candomblé. Porque o axé vibra em toda forma de expressão — inclusive na música que não se ouve, mas se sente.

Avatar de Carlos Duarte Junior

By Carlos Duarte Junior

Carlos Augusto Ramos Duarte Junior é um explorador apaixonado pela cultura e espiritualidade afro-brasileira. Influenciado pelas mulheres fortes e sábias de sua família, ele busca incessantemente entender e compartilhar o conhecimento sobre o Candomblé. Desde jovem, Carlos foi inspirado por sua mãe, avó, tia e irmã, que despertaram nele uma curiosidade pelas tradições ancestrais do Brasil. Formado em Economia, ele encontrou sua verdadeira paixão na cultura afro-brasileira, mergulhando no estudo do Candomblé. Suas experiências com sua tia sacerdotisa e sua irmã pesquisadora aprofundaram sua conexão com a espiritualidade do Candomblé. Carlos visitou terreiros, participou de cerimônias sagradas e estudou a história e mitologia desta religião. Ele compartilha seu conhecimento através do livro “Candomblé Desmistificado: Guia para Curiosos”, buscando quebrar estereótipos e oferecer uma visão autêntica desta tradição espiritual. Carlos é um defensor da diversidade e do respeito às religiões de matriz africana, equilibrando sua vida entre a escrita, a família e a busca contínua pelo conhecimento. Com seu livro, Carlos convida os leitores a uma jornada pelos mistérios e belezas do Candomblé.

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