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Peregun no Candomblé: ilustração em estilo xilogravura com folhas de dracena (pau d’água) simbolizando proteção e fundamentoPeregun no Candomblé: a folha que, em muitas casas, representa proteção, firmeza e respeito aos fundamentos.

Peregun no Candomblé é uma daquelas palavras que muita gente ouve em roda de conversa, vê em foto de terreiro, encontra em listas de “ervas sagradas” e… fica com mais dúvidas do que certezas. Afinal: é uma planta específica? É “de” qual orixá? Pode ter em casa? Serve para quê? E, principalmente, o que é respeito quando a gente fala de folha?

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Eu vou direto ao ponto, mas sem reduzir o Sagrado a receita. Aqui você vai entender o que costuma ser chamado de peregun no Brasil, por que ele aparece em tantas casas, quais são as variações mais faladas (como peregun roxo), quais cuidados fazem sentido e quais atitudes costumam ser vistas como levianas quando o assunto é fundamento.

Importante: cada terreiro tem sua tradição, sua nação, sua forma de cuidar das folhas e seus segredos. Então este texto é um guia educativo — não substitui orientação de uma casa séria.


O que é “peregun” afinal?

No uso popular brasileiro, peregun (ou peregum) costuma ser o nome dado a variedades de dracena — plantas ornamentais resistentes, com folhas longas e firmes, muito usadas em quintais, vasos e ambientes internos. Em muitos lugares, o povo também chama de pau d’água.

Na prática, isso significa que “peregun” pode apontar para mais de uma espécie/variedade, dependendo da região e da tradição local. Para quem quer um ponto de partida botânico, vale ver referências gerais sobre dracenas (ex.: Dracaena) e algumas espécies populares como Dracaena fragrans e Dracaena reflexa.

Mas aqui entra a parte que muita gente esquece: no Candomblé, a folha não é só “planta”. Folha é linguagem, é fundamento, é cuidado com o invisível. E isso muda completamente a conversa.

Se você quer entender a lógica das folhas dentro da tradição, recomendo também ler nosso conteúdo sobre Ossaim (Orixá das folhas e da cura), porque é ali que muita coisa começa a fazer sentido.


Peregun no Candomblé: para que serve?

Em muitas casas, peregun no Candomblé aparece associado a ideias de firmeza, proteção e sustentação — justamente por ser uma planta de folhas firmes, “de presença”, que aguenta muito. Em linguagem simbólica, é como se a folha dissesse: “eu fico”.

Sem entrar em segredos de fundamento, dá para entender alguns usos gerais (que variam de casa para casa):

  • Proteção do espaço: presença em quintais, entradas e áreas externas, como elemento de firmeza.
  • Organização do sagrado: em algumas tradições, folhas assim aparecem na lógica de “cuidar do lugar” — limpar, assentar, firmar.
  • Respeito ao corpo e ao ori: quando se fala de folha, se fala de cuidado — e cuidado não é espetáculo.

Quer um paralelo importante? A mesma ética que vale para o peregun vale para outros elementos do terreiro: atabaques no Candomblé não são “instrumentos qualquer”; são fundamento. Folha também.


Peregun é de qual orixá?

Essa é uma das perguntas mais comuns — e uma das mais perigosas quando a resposta vira “tabelinha pronta”. Em muitas casas, folhas podem dialogar com mais de uma energia, e a relação muda conforme nação, linhagem e fundamento da casa.

Você vai encontrar pessoas dizendo que o peregun “é de” Iansã, outras dizendo que tem relação com Ogum, outras associando a Exu pela ideia de guarda e proteção. O ponto aqui é: faz sentido existir mais de uma leitura. A tradição não é um catálogo industrial.

Se você está começando, a pergunta que funciona melhor é outra: como a minha casa entende essa folha? E, se você ainda não tem casa, a pergunta vira: como eu posso aprender com respeito, sem “mexer” no que não entendo?

Aliás, quando o assunto é guarda, caminho e limite, vale ler também nosso post sobre Exu — porque muita confusão nasce quando a pessoa quer “usar” símbolos sem compreender o que está invocando no próprio comportamento.


Peregun roxo, verde e outras variações: é tudo a mesma coisa?

Na prática popular, muita gente diferencia o peregun pela cor e pelo desenho das folhas. Você vai ouvir falar em:

  • Peregun roxo: folhas com tons arroxeados (ou verso mais escuro), aparência mais dramática, muito buscado como ornamental.
  • Peregun verde: o mais comum em quintais e vasos, “cara” de pau d’água clássico.
  • Variações variegatas: com listras, bordas claras ou mistura de tons.

Do ponto de vista do fundamento, a pergunta não é só “qual cor”, mas qual folha é reconhecida e trabalhada na sua tradição. Em algumas casas, certas variações não entram; em outras, entram. E o motivo nem sempre é “estético”; às vezes é litúrgico.


Posso ter peregun em casa?

Se você está falando de peregun como planta ornamental, muita gente tem em casa sem problema: é resistente, tolera meia-sombra e se adapta bem a vaso.

Agora, se você está falando de peregun no Candomblé como folha de fundamento, aí a conversa muda. Ter a planta em casa não te dá “licença espiritual” para fazer qualquer coisa com ela. O respeito mora no comportamento:

  • não transformar folha em “amuleto de internet”;
  • não inventar prática “de TikTok” com coisa séria;
  • não colher folha “porque vi num vídeo”;
  • não tratar tradição como superstição.

Se você quer se aproximar com respeito, comece pela base: aprenda sobre a ética do terreiro, sobre hierarquia e sobre por que certas coisas não são para fora. Nosso texto sobre mitos e verdades sobre o Candomblé ajuda a colocar o pé no chão sem perder o encanto.


O que não fazer com o peregun (e por quê)

Vou ser bem direto aqui, porque isso poupa dor de cabeça e evita desrespeito:

  • Não reduza folha a “truque”: tratar peregun como “hack espiritual” esvazia o Sagrado e alimenta charlatanismo.
  • Não confunda curiosidade com autorização: querer aprender é bonito; querer “mexer” sem base é perigoso (para você e para a tradição).
  • Não exponha o que não é para exposição: filmar, mostrar, publicar certas coisas pode ser visto como quebra de ética e respeito.
  • Não use folha como “arma” contra os outros: a cultura do ataque espiritual é exatamente o tipo de distorção que afasta as pessoas da verdade do axé.

Isso é parte do que eu chamo de alfabetização espiritual: aprender a diferença entre fé e consumo, entre tradição e performance.


Um itan para entender o valor das folhas (sem banalizar)

Em muitas narrativas tradicionais, as folhas não são “detalhe”: elas são poder. Um itan muito conhecido conta que Ossaim guardava o segredo das folhas e seus usos, porque sabia que, sem disciplina, o conhecimento viraria vaidade. Quando os orixás disputaram esse poder, o que ficou como lição não foi “quem ganhou”, mas a necessidade de equilíbrio: folha cura, folha protege, folha sustenta — mas só funciona com respeito, comunidade e fundamento. É por isso que falar de peregun no Candomblé sem falar de ética é falar pela metade.


“Folha não é enfeite.
É palavra que o vento não leva,
é segredo que só floresce
quando a mão aprende a pedir licença.”


Como cuidar do peregun (lado prático, sem misticismo de internet)

Se você quer manter a planta bonita e saudável, algumas orientações gerais costumam funcionar bem (ajuste ao seu clima):

  • Luz: meia-sombra ou luz indireta forte. Sol direto muito forte pode queimar folhas, dependendo da variedade.
  • Rega: sem encharcar. O “pau d’água” gosta de umidade equilibrada, mas raiz apodrece se exagerar.
  • Vaso e drenagem: furos e camada de drenagem ajudam bastante.
  • Pets: algumas dracenas podem causar desconforto se cães/gatos mastigarem. Se você tem animal curioso, pesquise a variedade e previna.

O cuidado com a planta, por si só, já é uma lição: axé não combina com pressa. Crescimento é ritmo.


Onde comprar com consciência (sem alimentar golpe)

Se você quer um peregun para casa, você encontra em floriculturas, viveiros e marketplaces. Minha sugestão é: compre de quem sabe explicar o que está vendendo, de preferência com planta saudável, e não pague “taxa espiritual” em planta comum. Tradição não é etiqueta de preço.

📚 Indicação de leitura (Amazon – afiliado)

Se você quer aprofundar sua compreensão sobre orixás, símbolos e tradição com uma base mais sólida, aqui vai uma leitura clássica que ajuda muita gente a sair do “achismo”:

Livro indicado: Orixás – Pierre Verger (link de afiliado Amazon)
Por que vale a pena? Porque ajuda a entender o universo simbólico (e cultural) em que as folhas ganham sentido — sem transformar tudo em receita.

🛒 Produto útil (Mercado Livre – afiliado)

Se a sua ideia é cuidar bem da planta em vaso (especialmente em apartamento), um item simples costuma facilitar muito:

Sugestão: Vaso autoirrigável para plantas (link de afiliado Mercado Livre)
Por que recomendo? Porque ajuda a manter umidade mais constante, reduz exagero de rega e melhora a saúde do peregun no dia a dia.


Escute nosso podcast (e aprofunde o tema)

Se você prefere ouvir, a gente está publicando episódios do Candomblé Desmistificado também em áudio. Aqui estão os links oficiais:

Dica: no site, eu sempre tento complementar o áudio com referências e leituras internas — para você estudar com calma, no seu ritmo.


Perguntas frequentes sobre peregun no Candomblé

1) Peregun é planta ou é “folha sagrada”?

As duas coisas, dependendo do contexto. Como planta, costuma ser uma dracena (pau d’água). Como peregun no Candomblé, ele pode ser entendido como folha de fundamento em muitas casas — e isso muda o nível de respeito exigido.

2) Peregun roxo existe mesmo?

Sim, no uso popular há variedades com tons arroxeados (ou com verso mais escuro). Mas o que “entra” como folha de fundamento depende da tradição e da casa.

3) Peregun é de Iansã? De Exu? De Ogum?

Você vai ouvir associações diferentes. O caminho mais honesto é perguntar: como a sua casa entende essa folha? Em Candomblé, fundamento não é “tabela universal”.

4) Posso usar peregun para “proteção” em casa?

Como planta, você pode cultivar e cuidar. Agora, transformar isso em “ritual pronto” copiado da internet é um erro comum. Se você busca proteção espiritual de verdade, o melhor é procurar orientação séria em uma casa de axé.

5) Peregun é a mesma coisa que dracena?

Com frequência, sim: “peregun/peregum” é um nome popular usado para dracenas em muitas regiões. Mas podem existir variações locais e diferentes nomes populares.

6) Peregun tem algum cuidado especial com crianças e animais?

Como regra de prudência: se você tem pets que mordem folhas, pesquise a variedade antes e mantenha fora de alcance. Algumas dracenas podem causar desconforto se ingeridas.

7) Por que folha tem tanta importância no Candomblé?

Porque folha é fundamento, cura, proteção e linguagem ritual. Para entender isso melhor, comece por Ossaim.

8) Onde eu aprendo de forma respeitosa?

Leitura ajuda, mas vivência orientada é essencial. Siga estudando pelo site e, quando sentir maturidade, busque uma casa séria, com respeito e paciência.


Conclusão: peregun é simples — e profundo

O peregun pode ser “só uma planta” no jardim de alguém. Mas peregun no Candomblé, para muita gente, é símbolo de firmeza, proteção e fundamento. O que define a diferença não é a folha em si — é a postura de quem se aproxima.

Se este texto te ajudou, eu te convido a fazer duas coisas: (1) ler com calma o post de Ossaim e (2) deixar um comentário contando o que você já ouviu sobre o peregun na sua região. A gente aprende muito quando troca sem arrogância.

Axé.

Avatar de Carlos Duarte Junior

By Carlos Duarte Junior

Carlos Augusto Ramos Duarte Junior é um explorador apaixonado pela cultura e espiritualidade afro-brasileira. Influenciado pelas mulheres fortes e sábias de sua família, ele busca incessantemente entender e compartilhar o conhecimento sobre o Candomblé. Desde jovem, Carlos foi inspirado por sua mãe, avó, tia e irmã, que despertaram nele uma curiosidade pelas tradições ancestrais do Brasil. Formado em Economia, ele encontrou sua verdadeira paixão na cultura afro-brasileira, mergulhando no estudo do Candomblé. Suas experiências com sua tia sacerdotisa e sua irmã pesquisadora aprofundaram sua conexão com a espiritualidade do Candomblé. Carlos visitou terreiros, participou de cerimônias sagradas e estudou a história e mitologia desta religião. Ele compartilha seu conhecimento através do livro “Candomblé Desmistificado: Guia para Curiosos”, buscando quebrar estereótipos e oferecer uma visão autêntica desta tradição espiritual. Carlos é um defensor da diversidade e do respeito às religiões de matriz africana, equilibrando sua vida entre a escrita, a família e a busca contínua pelo conhecimento. Com seu livro, Carlos convida os leitores a uma jornada pelos mistérios e belezas do Candomblé.

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